Este está a ser um fim-de-semana muito estranho para mim. Para além de estar a postar o segundo texto hoje, aconteceu o seguinte:
Esta noite (sábado), depois de jantar, fiquei sem nada para fazer (a televisão não me seduziu como acontece todos os outros dias), e então decidi ir ao sótão ver a minha colecção de livros. No meio dela encontrei um que sempre me marcou imenso, e que começa e acaba assim:
Início - "Lisboa, 28 de Agosto. Querida Marta, (...) Faz hoje um mês que tu... Não sou capaz de dizer a palavra. Se calhar, é porque não acredito que já não estás aqui comigo."
Fim - "Encolheu as pernas lentamente e fixou os olhos inchados naquele baloiço estranho suspenso no tecto. A lua estava em quarto crescente.
Desapertou a correia do relógio e pousou-o devagar sobre a mesinha. Agora, tinha todo o tempo do mundo. Para quê?"
Para quem não conhece, trata-se do livro "A Lua de Joana" de Maria Teresa Gonzalez.
Li-o todo de uma vez sem parar. No final, ao ler a última frase, fui assolado por um ataque de lágrimas que acho que não conseguia controlar, mas também não o tentei fazer porque estava a precisar. Há muitos anos que não chorava a sério. Não percebi a razão destas lágrimas, mas também não quero saber. Supus simplesmente que eram alimentadas por todos os acontecimentos guardados ao longo da minha vida, que me provocavam uma dor no peito que eu não sabia que existia, mas que foi aliviada depois disto.
Logo de seguida, o telefone tocou e eu caí literalmente na realidade, regressei. Contudo, estava diferente, estava mais calmo e descarregado e consolado.
Foi estranho de facto... Mas enfim! Nunca percebi muito bem o quanto eu me envolvo com certos livros, o quanto eles me ajudam e o quanto eu gosto de viajar para esse mundo...
Tenho andado a usar muito a escrita para me libertar psicologicamente, mas começo realmente a gostar!
Enfim, aqui estou eu de volta ao meu mundo de dor e sofrimento, embora diminuídos pelos acontecimentos da última semana! Aturem-me! (se quiserem...)
God!Tu leste esse livro e aconteceu isso? Acho que qualquer adolescente tem uma fixação por esse livro numa certa altura e nunca o consegue ler apenas uma vez, pois é tão comovente, forte e desesperante! Mas é bom ir dar uma volta pelos nossos pertences que caracterizam fases da nossa vida e relembrar o que nos fazia sentir de determinada forma e continuam permanentes.
ResponderEliminarE claro que há sempre aquele dia que um mínimo pormenor nos faz "desabafar", é necessário de vez em quando. No entanto, tenta tornar essas emoções um motivo de boas transformações e mudanças devido aos acontecimentos recentes e futuros!
Claro que aturamos!
ResponderEliminarEStamos sempre cá para o q der e vier!
Li esse livro umas três ou quatro vezes, quando tinha a tua idade. E, de todas elas, chorei. Como aliás chorei com um sem número de livros. É bom sinal. Significa que és sensível, que deixas que as estórias te toquem e te façam crescer enquanto pessoa. Escreve sobre isso, sempre. Não importa se faz sentido no momento, se nem sabes bem o que pensar, não importa. Mas escreve.
ResponderEliminarE sai do mundo do sofrimento porque há coisas bem bonitas lá fora à tua espera...