"Stop waiting for change and be the change you want to see"
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Sinto que preciso de escrever, mas no entanto nenhum texto se forma no papel.
Nenhuma frase se junta na minha cabeça.
E contudo, a sensação de que não estou equilibrado continua aqui, mesmo por baixo da minha pele, mesmo no centro da minha mente.
Há tantos assuntos sobre os quais posso falar, como o facto de o dia mais cor-de-rosa do ano ter acabado (apesar de ter sido um dia cinzento como os outros para mim), o facto de finalmente poder dizer que estou de "férias", entre outros...
Mas não...
Continuo sem saber o que dizer.
As palavras estão aqui, espalhadas aleatoriamente.
Cada uma no seu próprio mundo.
Presas pela criatividade e pelos limites da imaginação.
Mas fico triste por elas, porque se não falar quando as palavras me vagueiam na mente, quando as poderei soltar?
Não será isso um crime contra a natureza das próprias palavras?
Ou contra a minha natureza também?
Todavia não há nada que possa fazer para o mudar.
Forçar algo natural, só porque sim, não faz sentido.
Nem no meu mundo, nem no mundo das palavras.
Talvez possa ser bom num mundo normal, mas eu não sou normal.
E ainda bem que não o sou, não o desejo ser.
O meu mundo é infinitamente melhor precisamente por não desejar ser normal.
E se as palavras não querem sair, ou se a natureza não as quiser à solta, ou se a criatividade e os meus limites não as conseguirem soltar, então não as vou forçar.
Vou deixá-las ficar, e dormir com elas, presas nos seus próprios mundos, a orbitar locais secretos.
Quando elas quiserem sair, assim acontecerá.
Quando elas quiserem ser o seu novo mundo, eu irei deixá-las.
E depois poderei passar a ser o meu novo mundo também.
Sem esperar que isso aconteça.
Provocando eu a mudança que quero ver.
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