Identidade.
Algo que todos tomamos por garantido, e que nunca, em momento algum, se pensa que vai deixar de pertencer ao nosso ser.
Mas a realidade é que os caminhos não são fáceis, e por vezes desviamo-nos.
E esses pequenos desvios fazem com que o nosso pé saia da estrada. E sair da estrada, que nós definimos ser a que nós queremos seguir, não é isso perder um pouco de identidade?
Naquele pedaço de relva que acompanha a estrada pode estar algo importante para alguém. E se nós acabámos de o pisar, então acabámos de destruir algo a alguém.
Quantas e quantas vezes não calcámos algo importante para alguém? Ou para nós próprios, quiçá?
Claro que depois disso recebemos queixas, e são-nos apontados dedos.
Mas como é que reagimos? Com outro pé fora do caminho, agora do outro lado.
É muito fácil sermos compreendidos pelos outros nesses momentos mais impulsivos ou em que a reação descontrolada é que lidera a nossa identidade, mas e compreendermos os motivos dos outros?
Há outros caminhos à nossa volta, provavelmente invisíveis para os nossos olhos, e nós nem nos preocupamos em reconhecer que eles existem, quanto mais tentar compreendê-los.
E quando nos são apontados erros e nós reconhecemos que não queremos ser da forma que estamos a ser, o mais fácil é sempre atirar a toalha ao chão, desistir.
Mas se voltamos a atirar a toalha ao chão, não vamos acertar na nossa própria estrada? Em algo importante para nós?
E desistir está mesmo na minha identidade?
Mais ainda: será que seguir a estrada faz parte da nossa identidade?
Eu já sei quem eu sou, e no entanto continuo. Porquê? Alguma vez quis saber qual o propósito?
A paz, o descanso, estão comigo já. Eu sei que estou confortável comigo mesmo, para quê continuar a dar passos?
Pois, eu respondo rapidamente a isso: se eu ficar por aqui, quantos mais erros vão continuar a haver?
Quem vai espalhar no mundo o que tem que ser espalhado?
Se eu não continuar a andar, não vou arriscar realmente a que a minha chama arda por coisas que valham a pena. E os maiores erros são aqueles que não se vêem, decisões que temos demasiado medo para tomar.
Por isso sempre que o combustível faltar para que o próximo pé pouse o chão, pega nessa toalha, olha em frente e segue a estrada.
Ficar a olhar para o erro e a pensar nele é o caminho mais rápido para que o próximo passo comece a colapsar.
Não queres isso. Deixa que o mundo te veja, em toda a tua glória.
Arrisca.
Toma uma decisão.
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