Já não tinha memória de um dia que me corresse tão mal como o de hoje.
Acho que esse é um dos maiores erros que o ser humano possui: falta de memória.
Lembramo-nos de tudo, se for preciso, quer seja da cor do carro que passou pelo cruzamento hoje de manhã, ou até do número de escadas que usámos ao longo do dia.
No entanto nunca nos lembramos do quanto dói gostar a sério de algo.
E algo não é necessariamente alguém.
Mas também não exclui que seja alguém.
Os Algos e Alguéns deste mundo são mesmo complicados de lidar.
E eu esqueço-me disso vezes demais.
E depois fico assim.
A queixar-me.
Sem conseguir ir dormir.
A sofrer de novo.
A sentir demasiado.
Fernando Pessoa disse uma vez que "Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir."
E acho que foi por isso que vim aqui parar, e que agora estou a desabafar para aqui.
Mas não sinto a febre a passar.
Sinto-me cada vez mais doente até.
Só quero desligar-me de tudo.
Quero ir dormir.
Quero parar de ver isto tudo à minha volta.
Não quero mais sentir.
Onde está o interruptor?
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