Não sei o que pensar.
Não sei o que fazer.
...
Não me apetece dormir, mas também não quero ficar acordado.
Quero ver um filme, mas não tenho vontade de ficar duas horas a olhar para o ecrã.
Não quero ficar a ver a televisão, com os seus programas da treta, mas também não me apetece continuar a ler o livro...
Tudo por causa do Amor.
O Amor e as suas regras estúpidas.
Por que é que nunca nada pode ser "bom demais" para ser verdade, e manter-se assim?
Por que é que tem sempre que se bater com a cabeça numa parece, ou tropeçar num obstáculo e não haver mais possibilidade de nos levantarmos?
Como é que me deixei apanhar assim pelo Amor?
Achei que já tinha aprendido a lição.
Foi por isso que fiquei estes últimos quatro ou cinco anos sem ninguém.
Mas não, tinha que vir esta seta do Cupido, acertar-me mesmo em cheio, trazer esta alegria e esperança toda, e agora tirar-me tudo.
...
Já não sei o que sinto.
Não sei se estou vivo ou morto.
Já não estava habituado a ter parte de mim, cá dentro, deitado abaixo.
E a realidade é que nada acabou ainda.
Primeiro, porque nada começou a sério.
Segundo, porque ainda há esperança, por muito reduzida que ela seja.
As probabilidades de ultrapassar isto são baixas, e eu não acredito que consigas aceitar a situação.
Quero acreditar, vou-me esforçar para nos ajudar a ultrapassar isto, mas lá no fundo, no fundo, não sei se irá acontecer...
...
Espero estar enganado.
Vou ver se encontro um Cupido de outro tipo.
Um que me faça estar enganado quando me acerta com a sua seta.
Vou demorar um bocado.
Se desaparecer, a culpa é do Cupido.
A culpa é dele, por não existir.
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