domingo, 21 de dezembro de 2014

Pedidos de Natal

Voltei às origens por uns tempos.

Já tinha saudades desta calmaria, deste silêncio, deste frio...

Contudo, após menos de 24 horas aqui, já tenho saudades de voltar.

De voltar em espírito apenas.

Para não me sentir tão longe da sensação que me começa a assolar.

Aquela sensação que aqui me parece estar mais perdida, repelida pelo frio talvez.

Aqui sinto que estou a cair no esquecimento...

Que não falamos tanto...

Que o calor das tuas palavras e dos teus risos (que consigo ouvir na minha mente) não chega tão longe...

Apesar de não os ouvir em pessoa quando estou aí...

Não quero sair mal desta história toda...

Mas a verdade é que cada vez mais tempo gasto em ti.

Dentro da minha mente, cada momento é para ti de alguma forma.

E eu não estava preparado para ficar apanhado assim.

Nem quero pensar no que me aconteceria se estiver a viver uma ilusão...

Tenho medo do que me irá acontecer se receber outra rejeição...

E já não sei se conseguirei resistir.

Quero muito arriscar, mas como saberei se estou a caminhar na direcção certa?

Se leres as minhas palavras, indicas-me o rumo?

Serás o meu destino?

É o único pedido que faço este Natal: orienta-me por favor.

Ah! Estou a mentir...

Também quero que continues a sorrir afinal...

De preferência mais perto de mim...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Turbilhões

Hoje sinto-me triste...

No entanto é uma daquelas tristezas muito, muito raras que aparecem quando estamos próximos de algo que se gosta muito mesmo.

Foi esta a sensação que me surgiu quando entrei por aquelas grades gigantes de ferro.

Foi o sentimento que me invadiu quando subi as escadas de madeira escura.

Foram as lágrimas secas que me assolaram quando me sentei na bancada a assistir.

Vi ali muita paixão.

Senti também muita paixão.

A minha, a deles, a delas...

Paixão e tristeza.

Por ser algo que gosto tanto.

Mas ao mesmo tempo por ser algo que não está ao meu alcance.

Pelo menos por agora...

Algo que está mesmo do outro lado do corredor, na porta mesmo em frente à minha...

Consigo sentir as voltas no ar, as dores nas mãos, os cheiros dos colchões...

Mas é tudo na minha memória apenas.

Abro os olhos e só vejo uma parede nua e crua.

O espelho do armário ao meu lado.

Eu, sentado, a olhar para mim.

Com lágrimas secas provocadas pela saudade.

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Mas nem tudo alimenta a tristeza.

Há luzes no horizonte.

Outros sentimentos brotam, e eu sei que eles querem desatar a galope.

Terá chegado o momento?

Ou irei tropeçar novamente?

Será a luz um lanterna a enganar-me, ou uma estrela pronta para me resgatar deste abismo?

Poderei confiar?

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Continuo sem respostas.

A única certeza que posso ter já eu a disse:

As lágrimas secas da saudade continuam aqui...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Quem Me Vai Conseguir Fazer Parar?

Nunca andei uma montanha-russa...

Não sei porquê, simplesmente nunca aconteceu.

No entanto, sei exactamente qual é a sensação que essas coisas provocam.

Basta olhar-me ao espelho e ver o meu estado actual.

Basta o facto de que este é o segundo texto que estou a escrever, porque decidi apagar o outro por achar que não era sítio para ele estar.

Ah, afinal é o terceiro, acabei de apagar os três parágrafos que aqui estavam também.

...

Preciso de parar.

Mesmo.

Ficar num canto a desligar do Mundo.

Ir sentar-me na minha janela, simplesmente a olhar.

Sem pensamentos.

Só porque sim.

Só porque estou farto.

...

No entanto, ao mesmo tempo que ando às voltas e para cima e para baixo na montanha-russa, sei que há coisas que me impedem de soltar o cinto de segurança e ser projectado contra o chão.

Voltei ao ginásio e redescobri-me.

A minha paixão de antigamente pelos treinos voltou mais forte que nunca.

E com ela vem a saudade.

Saudades dos treinos a sério.

Aqueles em que andava às voltas e para cima e para baixo, só que de propósito.

Aqueles em que me sentia livre e poderoso, e em que eu sabia que ninguém me conseguia fazer parar a não ser eu próprio ou o chão, quando eu decidisse largar-me.

Não estou a dizer que não me sinto livre e poderoso na mesma.

Porque sinto.

No entanto, antigamente acontecia porque sabia que mais ninguém à minha volta era capaz de ser como eu.

E agora acontece porque sei que mais ninguém consegue ter o mesmo impacto que eu.

...

Se calhar agora tenho mais noção de mim mesmo e dos meus defeitos.

Senão não estaria aqui a escrever só para descarregar esta sensação que me invadiu.

Estaria a dormir, como era suposto.

...

É mesmo necessário isto ser assim?

E se eu não quiser?

Quem é que me vai conseguir fazer parar?

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Magia do Antigamente

Ao que parece, nem a mudança de ares resolve a situação...

Em tempos que já lá vão, este local costumava trazer-me de volta e devolver-me a calma e o controlo...

Mas afinal acho que ainda ajuda a piorar...

Fico com muito mais tempo disponível para gastar em passeios pela minha mente e em deambulações inúteis por trilhos selvagens, ainda por desbravar, como se de uma selva inexplorada se tratassem...

Aqui tenho tempo para imaginar as paixões que não posso ter, mas que desejo ardentemente...

Aqui sou atingido por séries contínuas e ininterruptas de cenários inalcançáveis, que há muito, muito tempo me consomem interiormente, sem nunca se tornarem corpóreos...

Achei que a magia deste local ainda me conseguisse afectar, mas aparentemente sou demasiado diferente agora.

Aparentemente estar tão perto do meu Antigo Eu já não o traz de volta...

E será que quero realmente que regresse?

Porquê perder tudo o que lutei?

Mesmo que já tenha sido tirado por outros momentos da vida?

Porquê perder a minha Nova Identidade?

Começo a gostar dela, de certa forma...

Não está completa, mas ainda há selva para desbravar à minha frente de certeza.

Acho que só me resta seguir em frente...

Até a próxima parede ou penhasco me interromper a caminhada.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Tropeçar e Cair

"And I / Am feeling so small / It was over my head / I know nothing at all

And I will stumble and fall / I'm still learning to love / Just starting to crawl" - "Say Something" (versão cantada por Alex & Sierra)

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Quando vejo, desejo-o intensamente.

De forma tão forte que até parece que a minha pele queima e arde.

No entanto, o meu peito continua gelado, com a sensação de vazio e Escuridão...

E eu...

... Eu continuo partido e quebrado...

E alguém partido não pode desejar o Amor.

Alguém quebrado não pode sentir aquele olhar ardente de outra pessoa.

Alguém gelado como eu não tem a capacidade de se sentir amado...

Terei Chama quente o suficiente para derreter este Gelo que me cobre?

Existirá algo sequer que valha a pena ainda dentro de mim?

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Não Desisti, Apenas Não Insisto Mais

E é assim...

Muito pode acontecer entre Agora e Nunca...

Assim como nada pode acontecer, também...

E é nessa situação que estou: entre o Muito e o Nada, entre o Agora e o Nunca.

Estou tão perdido que nem inspiração consigo encontrar...

Procurei nos meus textos passados, mas a única coisa que encontrei foi o mesmo que tenho agora.

Os mesmos sentimentos, as mesmas sensações:

O vazio no peito. As lágrimas a caírem. A Escuridão a rodear-me. A Força a desaparecer.

Alguém disse uma vez que ser humano era estar sempre em guerra connosco mesmos...

Mas dentro de mim já nem guerra existe.

Não há forças para lutar.

Não há chamas para iluminar.

Estou apenas Eu lá.

E pego em todos os pedacinhos quebrados que consigo, para montar estas palavras, e ver-me livre delas ao escrevê-las.

Pode ser que tudo vá junto com elas...

...

Vou embora também.

Desligar a luz.

Preparar-me para amanhã.

Vou precisar de forças para me levantar.

Felizmente não vão ser muitas.

Estou leve agora.

Não tenho nada dentro de mim.

Sou oco agora.

Uma mera casca.

Vou ficar assim por uns tempos...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Silêncio de Empatia

Estou aqui. De volta.

Pelo menos fisicamente.

Isto porque ainda não me sinto Eu.

Sinto que estou perdido algures e que por mais que vagueie, não vou estar em lado nenhum.

Uma lágrima tenta soltar-se, mas de que vai valer se o fizer?

Prefiro mantê-la cá dentro, para poder dizer que tenho algo em mim...

E mesmo que tente, ela não cai...

Só quero é fechar a porta, desligar a luz, e ficar sentado na janela...

A olhar para tudo...

A olhar para nada...

Pode ser que o Mundo deixe cair uma lágrima por mim, talvez...

Pode ser que essa lágrima torne os desejos em realidade...

Pode ser que essa lágrima torne os últimos tempos num mero sonho, em vez de serem o pesadelo que têm sido...

E, contudo, lá fora nenhuma pinga cai.

Nada se passa.

Tudo fica estranhamente parado, como que a sofrer por mim.

Numa espécie de Silêncio de Empatia pelo meu Ser Destroçado...

Não quero desvanecer em pleno Ar e desaparecer, mas sinto que vou nessa direcção...

É o que dá não ter a Chama.

É o resultado de não existir Faísca quando mais se deseja.

É o que dá esperar tanto tempo por algo, e no fim revelar-se uma Miragem...

Não queria que fosse assim.

Porém, não está nas minhas mãos...

Não controlo o meu Ser...

Aliás, o meu Ser já não existe sequer...

Vou continuar a procurá-lo, mas o mais provável é que apenas encontre mais Ar e Escuridão...

Estarei estragado?

Partido, talvez?

Terei conserto?...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

No Meio Do Nada, É Aí Que Vou Estar...

O Tempo passa, mas eu não o consigo sentir...

Tento entender o que se passa à minha volta, o que se passa comigo, mas não chego a lado nenhum...

Já procurei respostas.

Já tentei desfazer este Nó no meu peito.

Já equilibrei as minhas Energias...

E no entanto continuo no mesmo estado... No mesmo estado em que fiquei quando me apercebi...

E fico mesmo triste, desapontado, desamparado e envolto em Escuridão por saber que a conclusão a que cheguei é possivelmente a mais próxima da Verdade...

É a mais próxima da Verdade, e ironicamente faz de mim uma Mentira...

Procurei em todo o lado.

Fechei-me, longe de tudo, para tentar encontrá-la.

Mas continuo de mãos vazias.

Continuo de peito vazio.

Não consigo encontrar a Faísca...

Pensei tê-la sentido antes.

Mas se alguma vez a cheguei a ter, fugiu-me.

Ou então era uma miragem.

Ou então desejei muito que fosse real.

...

Aparentemente não desejei com força suficiente...

Quanta mais tristeza causarei?

Quanta mais Escuridão poderá rodear-me?

...???

Preciso de me desligar mais...

Vou-me embora por uns tempos.

Vou procurar respostas longe daqui.

...

Vou ver se encontro o meu Antigo Eu.

sábado, 31 de maio de 2014

Nós e Mentiras

Não sei o que se passa comigo...

Não sei se o problema é realmente meu ou se pertence ao Mundo...

O que eu sei apenas é que não entendo absolutamente nada do que se está a passar...

Pensei que ia mudar, que ia melhorar, mas sinceramente não me sinto assim tão melhor...

Sinto-me uma Mentira.

Sinto um nó gigante dentro de mim, e não entendo de onde apareceu.

Esperei muito tempo por algo deste género, tudo o que foi dito é verdade, e contudo agora o resultado não é o esperado.

Ou pelo menos eu não sinto que seja...

Continuo a dizer para mim mesmo: "Não me sinto nada abandonado! Não me sinto nada sozinho! Eu estou a funcionar correctamente!".

Mas não é nada disso que eu sinto...

Achei que ia passar agora, que seria apenas algo passageiro causado pela pressão que sofri nas últimas semanas com as responsabilidades...

Mas aparentemente não.

O Nó mantém-se aqui no meu peito, mesmo no centro.

Causa-me dores físicas, apesar de eu saber que nada tem de físico.

Causa-me um desequilíbrio astronómico que não consigo entender.

Desregula-me.

E, no entanto, foi a única coisa que mudou.

Não vejo nada mais que possa estar a causar-me isto...

E sinto-me mal por saber que não deve haver outros motivos.

Sinto-me pessimamente mal por saber que não estou ao nível que era esperado de mim.

Sinto-me uma Mentira.

E eu não minto.

Eu detesto, abomino e odeio mentiras.

O que posso eu fazer para tirar este Nó?

O que posso eu fazer para passar a ser Verdade?

Haverá algo que possa fazer-me funcionar?

Haverá algo capaz de me equilibrar rapidamente?

...

Por favor...?