segunda-feira, 7 de março de 2016

Venenos

Estou deitado há já um bocado.

A olhar para o tecto.

A olhar para os lençóis.

Agora fecho os olhos.

Só vejo escuridão.

Sinto coração a bater, forte e rápido, o que não devia acontecer.

Devia estar a bater calmamente, pronto para me deixar adormecer.

Ou então devia estar parado, para combinar com O Meu Ser.

Nada me deixa adormecer.

Consigo ouvir a chuva a bater na minha janela, a fazer uns estalidos, que em qualquer outro dia seriam relaxantes.

Mas não hoje.

Hoje existe um tristeza alojada no meu peito.

Apercebi-me dela mais cedo, mas ignorei, porque já a tive antes e sobrevivi.

Mas quando me deitei, observei-a melhor, e tentei libertá-la do peito, para ver se ficava mais confortável.

Foi uma má decisão.

Consegui soltá-la, mas agora corre-me pelo corpo, como um veneno no meu sangue.

Sinto-a a espalhar-se.

Por mim.

Pelo meu quarto.

Pelo Mundo.

Pela minha vida.

Quero adormecer.

Preciso de quebrar estas sensações.

Mas não estou a conseguir...

Acho que vou levantar-me.

Adiantar coisas para de manhã.

Aliás, para daqui a bocado, que é quando vou acordar.

Sim, vou acordar daqui a pouco apenas.

Porque agora não me sinto acordado, apesar de ter os olhos abertos.

Mas não há nada que possa fazer.

Um novo dia vai começar.

E lá estarei eu, pronto para ele.

Acordado.

domingo, 6 de março de 2016

Tudo É Imaginário, Menos A Dor

Não sei o que pensar.

Não sei o que fazer.

...

Não me apetece dormir, mas também não quero ficar acordado.

Quero ver um filme, mas não tenho vontade de ficar duas horas a olhar para o ecrã.

Não quero ficar a ver a televisão, com os seus programas da treta, mas também não me apetece continuar a ler o livro...

Tudo por causa do Amor.

O Amor e as suas regras estúpidas.

Por que é que nunca nada pode ser "bom demais" para ser verdade, e manter-se assim?

Por que é que tem sempre que se bater com a cabeça numa parece, ou tropeçar num obstáculo e não haver mais possibilidade de nos levantarmos?

Como é que me deixei apanhar assim pelo Amor?

Achei que já tinha aprendido a lição.

Foi por isso que fiquei estes últimos quatro ou cinco anos sem ninguém.

Mas não, tinha que vir esta seta do Cupido, acertar-me mesmo em cheio, trazer esta alegria e esperança toda, e agora tirar-me tudo.

...

Já não sei o que sinto.

Não sei se estou vivo ou morto.

Já não estava habituado a ter parte de mim, cá dentro, deitado abaixo.

E a realidade é que nada acabou ainda.

Primeiro, porque nada começou a sério.

Segundo, porque ainda há esperança, por muito reduzida que ela seja.

As probabilidades de ultrapassar isto são baixas, e eu não acredito que consigas aceitar a situação.

Quero acreditar, vou-me esforçar para nos ajudar a ultrapassar isto, mas lá no fundo, no fundo, não sei se irá acontecer...

...

Espero estar enganado.

Vou ver se encontro um Cupido de outro tipo.

Um que me faça estar enganado quando me acerta com a sua seta.

Vou demorar um bocado.

Se desaparecer, a culpa é do Cupido.

A culpa é dele, por não existir.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Vôos e Quedas

Os motivos que te fazem querer acordar todos os dias de manhã e sair de casa são aqueles que surgem de forma mais inesperada, no dia mais aleatório, e nos locais mais estranhos.

E de alguma forma conseguem-te dar a volta à cabeça, e passar a ser a tua prioridade, ou pelo menos a estar na linha da frente dos teus pensamentos.

Ainda mais estranhos são aqueles que aparecem do nada, se encaixam em ti como se fossem parte do teu ser, e passam a ser a tua vida.

São o teu lar, independentemente de onde estejas no mundo.

O sítio para onde tudo converge.

De onde nunca tens vontade de sair.

Mas sendo esses motivos tão inesperados, só consigo pensar que estou num sonho.

É difícil acreditar que são reais.

E tu és um desses motivos para mim, que me faz querer continuar acordado sempre.

Que me faz pensar: "Como pode um coração como o teu alguma vez amar um coração como o meu?".

E eu fico inseguro.

Estou sozinho há muito, muito tempo.

Estar contigo faz com que me sinta como se fosse um passarinho bebé, a tentar aprender a voar.

Empolgante e assustador ao mesmo tempo.

Mas não é por isso que se desiste.

Continua-se até estarmos bem lá no alto, mestres na arte do voo.

Vai-se aprendendo, com algum sacrifício de vez em quando.

Mas um sacrifício não é algo negativo.

É aquilo que se faz pelas pessoas de quem gostamos.

E eu gosto de ti.

Apaixonei-me por ti, pela pessoa que és agora.

Apaixonei-me pela pessoa que eras no início.

E continuarei apaixonado pela pessoas que serás amanhã.

Mas não vamos esperar por amanhã, pois pode ser demasiado tarde.

Vamos fazer de hoje o melhor dia que já conhecemos.

Estou cá, contigo.

Para ti.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Hoje e Amanhã

Ainda não acredito bem que estou contigo...

E acredito ainda menos que tu queres estar comigo...

Tem sido assim no dia-a-dia, eu e tu, juntos, mas hoje senti a lâmina da tua adaga pela primeira vez...

Magoou.

Mais do que o que estava à espera.

O que quer dizer que se calhar fazes mais parte de mim do que o que pensava.

Mas mesmo magoado, com um corte fundo, e o sangue a escorrer pelo peito, gosto de ti...

E de manhã quero receber a tua mensagem de bom dia, mesmo que seja várias horas depois de eu já estar acordado.

Será o início do dia para mim, portanto é válido chamar-lhe "manhã", mesmo que seja ao fim da tarde.

Espero que durmas bem, mesmo, porque só quero o teu bem, a todos os instantes do meu dia.

Eu vou agora procurar-te no mundo dos sonhos também.

Até amanhã.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Animais Inquietos

Era mais fácil se eu fosse literalmente um animalzinho, daqueles que andam na floresta ou algo desse género.

Ao menos nunca duvidaria de nada, e conseguia dormir sem andar às voltas, a acordar a cada 2 horas, só porque a Mente não consegue sossegar...

Não haveriam desejos de algo que não se pode ter, ou que não se sabe se é bem real ou não. Confiaria nos sentidos apenas.

Não ficaria a pensar se tomei a decisão certa ou não. Caso tivesse tomado a opção correcta, acordava no dia seguinte. Caso contrário, a Natureza trataria de me matar, logo ali, no momento da má decisão.

Não ficaria quase 24 horas por dia desconcentrado, com a cabeça à roda, sem controlo, pois não teria uma consciência, da mesma forma que tenho agora.

Seria apenas instinto.

Eu e a Natureza.

O Mundo e o Animal.

Mas não, sou Humano, e a vida não é tão fácil para nós.

Questionamos tudo.

Duvidamos de tudo.

Não acreditamos em nada.

Achamos que está tudo mal, ou pior do que mal.

E no entanto, é isso que nos move.

Apenas queremos continuar, lutar nas nossas Guerras Imaginárias, criadas por nós próprios, contra nós próprios...

Queremos construir algo, mas tirar-lhe uma perna, só para ficar tudo na dúvida, a abanar desde os alicerces, e depois podermos chorar quando tudo cai por terra.

Por quê?

Não podemos simplesmente confiar no Instinto?

Olhar para algo, e dizer "Sim, é isto que eu quero." ou "Tenho a certeza que vai correr bem, não duvido que está realmente a acontecer.".

Quando carregar neste botão que diz "Publicar", vou a prometer a mim mesmo e ao Mundo que vou acordar mais parecido com um Animal, parar de duvidar de mim mesmo e do que me está a acontecer.

Vou acordar bem disposto, alegre, com todos os medos e dúvidas deixados neste momento (amanhã já será passado, portanto).

Mas vou continuar a ser Humano, portanto tudo isso vai voltar. Todas as dúvidas vão estar naquele cantinho escondido, até ao dia em que decidirem ganhar terreno...

E elas (as dúvidas e os medos) não são Humanas, portanto não vão haver indecisões quando começarem a apoderar-se do espaço todo na minha Mente.

Não.

Não posso prometer nada disso.

Vou continuar o mesmo de sempre.

Mais velho um bocadinho.

Um pouco mais maduro, outro pouco mais infantil.

Um tanto ou quanto decidido, outro tanto receoso.

Mas no fim, sempre Eu.

Eu e as minhas Falhas.

O Mundo e o Humano.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Leis da Física

É impressão minha ou o Mundo anda às voltas mais rápido ultimamente?

É possível que seja só eu que esteja desorientado com o trabalho, as tarefas, o estudo, as cenas e as merdas dos últimos tempos, mas nunca se sabe.

A minha Mente parece estar a querer imitar o Mundo, a rodar sem parar.

As ideias a sofrerem mudanças contínuas, como se fossem algo instável.

Nem a respiração controlada e calma funciona.

Nem a meditação funciona.

Já experimentei fechar os olhos e pensar em branco, mas até aí eu consigo ver tudo a arder e a rodar sem parar.

A minha questão é: se até eu consigo ver, com os olhos fechados, como é que ninguém mais se apercebe que o Mundo está em chamas?

Serei assim tão perspicaz?

Consigo adivinhar o futuro assim tão acertadamente?

Ou realmente estou apenas cego e a sonhar, e tudo está perfeito à minha volta?

Tenho medo.

Tenho receio.

Não quero ir por este caminho, mas também não quero ficar rodeado de cinzas.

Também já chega de medo e receio.

Já chega de observar as chamas.

Chamem-me extintor se quiserem, mas o Mundo não vai arder enquanto eu cá estiver.

Nem que seja preciso alterar as leis da física e encontrar uma nova Gravidade, para tudo passar a rodar à volta de um novo caminho.

Prometo que isto não fica assim.

Vamos ver o que arde mais: Eu ou o Mundo.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Facadas

Já disse isto, mas todos os dias existe um novo motivo para o repetir: "Não é nada fácil viver neste Mundo".

Há sempre mais uma facada a dar.

Mais um pedaço que continua inteiro.

Um bocadinho de sangue que ainda pode escorrer.

Uma réstia da Chama que teima em arder.

Mas cada mais concluo que estou errado, porque lutar por manter essa Chama é o caminho errado.

Parece que a maior prova de amor é perder a própria Vida a favor de algo a que se diz "Gosto de Ti".

Normalmente para essas coisas ou pessoas, apenas dizer não vale de nada porque palavras não são acções.

Então age-se.

Faz-se o melhor possível.

Mas não resulta.

Mostrar de nada vale.

Esquecemo-nos do resto.

Concentrámo-nos demasiado em agir.

E agora?

Sobra Sofrer.

Viver.

Respirar.

Morrer.

Será que chega?

Ou temos que dar ainda mais?

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Reflexo num Espelho

A nossa Vida é muito simples, e pode-se resumir em algo do tipo "preto e branco" ou "1 e 0" se forem de Informática.

Basicamente, ou se faz algo ou não se faz.

Ou se vai por um lado ou por outro.

Ou se sabe algo ou não se sabe.

Sente-se ou não se sente.

Eu descobri recentemente que tenho andado iludido no lado errado da Vida.

Parece que sou a única pessoa no Mundo a ver tudo ao contrário.

Descobri que sou um Reflexo num Espelho.

Andei completamente cego até agora, alienado de tudo e todos.

Ou se calhar vou ficar completamente cego e alheio ao Mundo a partir de agora, já não sei.

Já não sei nada.

Não entendo nada.

Estou perdido.

Não tenho uma bússola, não tenho um mapa, não existem guias...

Pelo menos que eu saiba, mas como eu já não sei de nada, é provável que esteja enganado.

Mas é para isso que existe o outro lado, o lado que não é um Reflexo.

Eu imito esse lado.

É assim que funciona, não é?

Eu acho que é (o que pode não ser verdade, não sei... LÁ ESTÁ!).

Reflexo do Reflexo que está no Espelho, para onde é que tenho que ir?

O que tenho que fazer?

Siga.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Podia Ser Pior

Tenho exame final daqui a pouco.

Fecho os olhos.

Vou dormir.

Abro os olhos novamente.

Volto a fechá-los.

Respiro fundo.

Penso numa parede branca.

Concentro-me no meio da parede.

O resto da parede começa a escurecer.

É da minha mente.

Não pára.

Continua a divagar.

Faz-me pensar em tudo.

Faz-me pensar em nada.

Perco a concentração.

A parede já não é branca.

Já não é uma parede sequer.

Foi derrubada, e atrás dela está toda esta cacofonia incessante.

Mas eu já deveria estar a dormir.

Abro os olhos.

Fecho os olhos.

Tapo-me completamente com os lençóis.

Os lençóis são brancos.

Aqui consigo ouvir o bater do meu coração.

O ar a entrar nos pulmões.

Óptimo, vou dormir.

Mas os lençóis deixaram de ser brancos.

Estão contaminados.

A minha mente não pára.

Concluo: será que há algo de errado?

Em mim?

Em todos?

Existe algo sequer?

Ou não existe nada?

A janela está aberta agora.

Ouço os pássaros a começar o seu dia.

Da mesma forma que o meu começa daqui a pouco também.

Gosto.

É relaxante ouvir os pássaros.

E o meu coração.

E o ar nos meus pulmões.

Fecho os olhos.

E fico assim.

A ouvir tudo: os pássaros, o coração, os pulmões, e a cacofonia incessante que vai na minha mente.

Daqui a pouco começa o meu dia.

Vou para o exame final.

Não terei problemas em concentrar-me na parede branca lá.

Irei imaginar o toque dos lençóis brancos sem problemas.

E irei fechar os olhos.

Tenho a certeza que a cacofonia lá estará.

Não vou estar sozinho.

Óptimo.

Seria pior se estivesse.

Nem tudo é mau.