Começo a não gostar dos meus dias.
Tenho muitas distrações, muito para fazer, mas muito tempo para a mente divagar.
E ela não me pede permissão para o fazer.
Não há um dia que não passe que não me faça visitar coisas dolorosas.
É como se todos os dias, sem que eu quisesse, a minha mente se apoderasse de mim, me levasse para a beira de um precipício no meio do nada, e me obrigasse a ficar lá sentado, à espera que a terra me engula.
Tudo isto porque agora estou a provar do meu próprio veneno, e sinto na pele o que é não obter resposta.
Não fiz por mal, sabes disso... Mas também não me estás a tentar perceber... E em vez disso, estás-me a fazer sofrer novamente.
Provavelmente sem que o saibas, apesar de que eu não acredito nisso...
Alguém uma vez disse que quando se adota alguém ou algo, não se adota apenas essa pessoa ou objeto. Adota-se tudo nela: o mau, o bem. O passado que vem com ela.
Eu tentei sempre suavizar o meu passado para ti, e tu sabes como ele foi intenso e doloroso para mim. E, no entanto, não o adotaste. Eu não senti isso.
E isso custa-me.
Ainda.
Não sei por quanto mais tempo, nem porquê, mas ainda me afeta.
Faz-me sentir como se estivesse a caminhar em cima do meu lado da linha de um comboio, e te visse a andar na outra.
Sempre ali ao lado.
Mas sempre demasiado longe.
Sem nunca cruzarmos caminhos.
Para sempre fora do alcance.
E não sei se o meu próximo passo será o melhor. Sinto que vai piorar a minha situação.
Mas acho que vou ter que o tomar.
E vou ter que deixar as minhas palavras na tua mão um destes dias.
Vou ter que pegar na minha linha de ferro e obrigá-la a mudar de direção.
Se isso provocará um acidente ou não, deixo nas mãos do destino...
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