sábado, 25 de fevereiro de 2017

Labirinto Perfeito

"If only we could be strangers again..." - Beleza Colateral (filme)

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Alguém uma vez disse que nada está verdadeiramente morto, se olharmos para as coisas da forma correta.

Mas será que isso é algo que as pessoas queiram?

Ter algo que nunca morre verdadeiramente pode não ser bom. Pelo menos eu acho que não é.

Sinto todos os dias a dor, algo que nunca mais morre, e que continua aqui dentro, a massacrar-me, a esvaziar-me mais um pouco.

Será que devia estar a olhar de outra forma, de uma maneira menos correta?

Se isso fizesse tudo morrer...

Mas depois, mesmo que tudo isto morresse, será que iria desaparecer da minha vida?

Aposto que não, iria ficar como monumento eterno, algo que faria relembrar para sempre dos negros tempos de agora.

Robert M. Drake escreveu uma vez que "no fim, ela tornou-se mais do que ela esperava. Ela tornou-se na viagem, e como todas as viagens, ela não acabou. Ela apenas mudou de direção e continou."

Concordo plenamente, Robert, mas acho que te esqueceste do resto... Eu acho que o nome com que ficou conhecida deveria ser "Labirinto Perfeito".

Uma confusão tal, que muda de direção constantemente, e que, quando pensas que estás quase na saída, faz surgir uma nova parede a toda a volta, prendendo-te mais um pouco.

E assim, foi-te garantida uma viagem eterna, sem fim, que não te deixa sair.

Com o tempo, as paredes passam a ser naturais para ti, e chega um dia em que já nem te apercebes que elas lá estão.

Até que um dia visitas um dos caminhos do labirinto onde tropeças num dos monumentos que o passado deixou, e bates com a cabeça na parede.

E aí reparas onde estás. E as paredes tornaram-se estranhas para ti. E tu estás a conhecê-las pela primeira vez, outra vez.

E perguntas-te há quanto tempo elas estão ali. E ficas contente porque o teu mundo se tornou ligeiramente diferente.

Mas a realidade é outra, pois a dor que as criou não deixa de existir, simplesmente passou a ser vista de outra perspetiva. E agora parece-te algo novo.

E tu esqueces-te que este é um mundo perito em ilusões.

E que vais cair noutra logo de seguida, ficar contente com isso, e no fim lamentar-te por teres sido estúpido novamente, e continuar o Labirinto Perfeito.

À procura da saída.

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