Alguém uma vez disse que se os sentimentos forem mútuos, então o esforço será igual.
Não sei se concordo inteiramente, pois a essa frase acrescento "Se não forem, a dor será bem diferente."
E acredita em mim, Mundo, quando digo que é mesmo.
Poderia ter sido o primeiro dia de muitos. O primeiro "especial", mas que na realidade é igual aos outros, e a que toda gente dá uma importância diferente.
Mas se formos a ver bem, as importâncias são sempre diferentes para tudo, cada pessoa vive os mesmos episódios de ângulos e perspetivas diferentes.
Cada pessoa traz um passado consigo inteiramente complexo que a faz percecionar a mesma situação de formas completamente distintas.
Mas esse passado tem um nome que diz tudo. Chama-se literalmente "passado". É algo que existiu, tendo sido bom ou não, e que não pode ser negado, mas não pode ser "presente" ou "futuro".
Esses são outros cenários, com nomes só para eles próprios.
E, no entanto, o meu passado não me larga, tem-me acorrentado, encarcerado com algemas, correntes e pesos, e ainda com espadas a prender-me à parede.
Por mais que me tente libertar, um deles acaba por me magoar mais e mais.
Faz-me sangrar até nenhuma outra gota de sangue restar.
O pior é que eu sei o que me mantém aqui, o que não me deixa avançar, e ainda me arrasta mais para o fundo.
Chama-se "perdão", e a ação responsável é "não o dar".
Eu queria conseguir, mas tudo o que arrasto comigo faz-me olhar para o que aconteceu entre nós há tanto tempo e não entender nada.
Faz-me ficar cada vez mais confuso, irritado, magoado, em sofrimento.
E mesmo tendo sido culpa de ambos, quando olho para trás, só vejo o quanto me feriste e quantas marcas me deixaste no sítio onde ninguém ia há eternidades.
Estou a tentar perdoar tudo, Mundo. Perdoá-la a ela, perdoar-me a mim, perdoar-te a ti.
Porque não quero mais estas correntes a envenenar-me a Alma e o Coração e a Mente.
Não quero mais acordar, viver e deitar-me com amargura, medo, desgosto e raiva.
Quero perdoar tudo, porque o ódio e a dor são formas alternativas de me prender aqui.
E eu já não pertenço mais aqui.
Por esse motivo, Mundo, fala com o Destino, e deixa-me perdoar-nos a todos, sim?
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