sábado, 25 de fevereiro de 2017

Pedaços de Guerra

Como é que isto ainda é possível?

Como é possível teres-me quebrado tão profundamente, ao ponto de agora, ao fim de seis meses, ainda me sentir assim?

Eu não quebro facilmente.

Posso sofrer golpes e ter cicatrizes, mas partir completamente? Não achei que pudesse acontecer assim, e fazer-me sentir tão indefeso.

Achei que poderia cair, mas eventualmente levantar-me com um fogo ainda maior, mas não foi o que aconteceu.

Continuo caído, em pedacinhos impossíveis de colar, sem nada que reste para alimentar uma chama sequer.

E tudo o que eu quero é ouvir-te uma última vez. Ou ver-te a sós. Ou apenas entregar-te as minhas palavras, que estão aqui à minha frente, em papel.

Mas não tenho coragem de ir até aí, e deixar-tas à porta, pois não sei como reagirás a elas. Não sei sequer se olharás para elas.

Sou apenas um concha vazia, um corpo a deambular por aí. Todos os meus pedaços estão no chão, e em vez de me deixarem em paz, seguem-me para todo o lado.

Lembram-me a cada momento do quanto os fizeste brilhar como ouro.

Lembram-se constantemente do quão danificado me deixaram.

Sinto-me como se estivesse perdido no meio de uma guerra, mas sem a vantagem de que numa guerra a sério, provavelmente já não sentiria nada, mesmo que estivesse tão quebrado como me sinto agora.

Será assim tanto pedir que isto termine de vez?

Custa assim tanto pedir que o sofrimento acabe?

É mesmo assim tão difícil largar tudo o que tenho a prender-me?

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